No século XIX, quando a região ainda era formada por fazendas, caminhos de tropeiros e pequenos pousos, Ana das Dores viajava de Jaraguá em direção a Bonfim. Entre seus pertences estava uma imagem de Nossa Senhora Sant’Ana.
Quando a comitiva atravessava a região das Antas, o animal que transportava a imagem afastou-se do grupo. Depois de algum tempo de procura, os viajantes encontraram o animal deitado com a carga.
Os homens tentaram levantar a canastra, mas ela parecia extraordinariamente pesada. Chamaram mais pessoas, retiraram outros objetos e tornaram a tentar. Nada adiantou: a caixa que carregava a santa não saía do lugar.
Ana das Dores interpretou o acontecimento como um sinal. Sant’Ana teria escolhido aquelas terras para permanecer. Diante da imagem, a viajante prometeu que ela seria entregue à primeira igreja construída naquele local.
Algum tempo depois, moradores doaram uma área para formar o patrimônio religioso. Gomes de Sousa Ramos, filho de Ana das Dores, colaborou para a construção de uma pequena capela, inaugurada por volta de 1871.
A imagem foi colocada no altar, cumprindo-se a promessa. Ao redor da Capela de Sant’Ana das Antas apareceram casas, estabelecimentos e novas ruas. A povoação cresceu, transformou-se em vila e, posteriormente, recebeu o nome de Anápolis — a cidade de Ana e de Sant’Ana.
A presença do animal, o peso inexplicável da canastra e a escolha do local pela santa fazem parte do mito religioso de fundação da cidade, estudado na pesquisa da UFG Os tempos míticos das cidades goianas.