Rita, também chamada de Ritinha Vieira ou Rita Pó em algumas versões, era uma jovem viúva que vivia em uma propriedade rural próxima a Catalão. Dona de considerável fortuna, recebia muitos pretendentes, mas desconfiava que a maioria estivesse interessada apenas em suas terras e riquezas.
Certo dia, chegou à região um dentista chamado Roberto de Matos. Jovem, elegante e vindo de Minas Gerais, ele percorria vilas e fazendas oferecendo seus serviços. Rita conheceu Roberto e se apaixonou perdidamente.
Os dois passaram a se encontrar no Morrinho de São João, junto à capela. Embora os moradores advertissem Rita sobre aquele homem desconhecido, ela acreditava ter finalmente encontrado um amor verdadeiro.
Roberto, entretanto, escondia um passado complicado. Era casado e tinha uma filha. Depois de uma desavença, sua esposa havia regressado para a casa dos pais, levando a criança. Mesmo separado, Roberto continuava amando a família e alimentava o desejo de voltar para Minas Gerais.
Ao perceber que o relacionamento com Rita não poderia continuar, decidiu contar-lhe a verdade. Os dois marcaram um encontro no alto do morro, ao entardecer.
Rita já desconfiava de que seria abandonada. Por isso, levou consigo um revólver.
Diante da capela, Roberto explicou que partiria de Catalão e tentaria reconstruir seu casamento. Rita implorou para que ele ficasse. Falou de seu amor, de sua solidão e da vida que poderiam ter juntos. Roberto, porém, manteve sua decisão.
Quando ele se virou para ir embora, Rita sacou a arma e disparou quatro vezes contra suas costas. Roberto caiu morto no alto do morro.
Depois daquela noite, Rita nunca mais recuperou completamente a razão. Foi presa e passou por diferentes internações, mas, sempre que conseguia sair, retornava ao lugar em que Roberto havia morrido.
Vestida de branco, permanecia durante horas perto da cruz e da capela, conversando com alguém que somente ela conseguia enxergar. Algumas vezes chorava. Em outras, chamava por Roberto e pedia que ele não regressasse a Minas.
Depois da morte de Rita, sua presença teria permanecido no morro. Moradores afirmavam avistar uma mulher de branco caminhando entre a cruz e a capela nas noites de lua cheia.
Quando alguém tentava se aproximar, a figura descia silenciosamente pela encosta e desaparecia no escuro. Quem conhecia a história não precisava perguntar seu nome: era Rita Pó, a Louca do Morro da Saudade, procurando eternamente pelo homem que amou e matou. Uma versão preservada por Cornélio Ramos pode ser consultada em