A Casa de Assoalho

Em uma antiga fazenda do município de Catalão havia uma grande casa construída com paredes grossas e assoalho de madeira. Era uma propriedade bonita, cercada pela vegetação do cerrado, mas nenhuma família conseguia permanecer nela durante muito tempo.

As primeiras noites costumavam ser tranquilas. Depois, começavam os passos.

Sempre de madrugada, os moradores acordavam com o som de alguém caminhando pela sala. As tábuas rangiam lentamente, como se uma pessoa atravessasse a casa em direção aos quartos.

Quando o proprietário acendia uma lamparina e verificava os cômodos, não encontrava ninguém. As portas permaneciam trancadas e as janelas, fechadas. Assim que todos voltavam para a cama, os passos recomeçavam.

Com o passar das noites, surgia também o choro de uma mulher. Algumas pessoas chegaram a ver uma figura vestida de branco parada no corredor. Ela baixava a cabeça, escondia o rosto e desaparecia quando alguém tentava tocá-la.

A explicação estaria em uma tragédia ocorrida muitos anos antes.

Uma jovem que vivia naquela casa preparava-se para o casamento. Seu vestido estava pronto, a família organizava a cerimônia e todos aguardavam a chegada do noivo.

Na véspera da união, entretanto, o rapaz saiu para pescar e morreu afogado. Quando recebeu a notícia, a noiva entrou em profundo desespero. Vestiu o traje que usaria no casamento e tirou a própria vida dentro da casa.

Desde então, sua alma teria permanecido presa ao lugar. Os passos ouvidos no assoalho seriam os da jovem caminhando pelos cômodos, ainda esperando que o noivo retornasse para a cerimônia.

Nenhuma reforma conseguiu interromper as aparições. Famílias mudavam-se para a propriedade, ouviam o choro e deixavam a casa poucos dias depois. Por isso, durante muito tempo, o imóvel permaneceu vazio — habitado apenas pela noiva de branco e pelo rangido interminável de seus passos.

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